A Mansão de Alamut Brasileira

Autor(a): Gabriel B.


Volume 1

Capítulo 13: Pena de morte (1)

James fugiu sem olhar para trás. O som contínuo da Silhueta atravessava o corredor diversas vezes, mas dessa vez não lhe afetou. Na primeira oportunidade que teve, desceu as escadas e voltou ao salão, deparando-se com Jessie cambaleando e usando um altar para se manter de pé.

— Você tá legal? — disse ele, mantendo certa distância.

— Mais ou menos, vou ficar bem, eu acho. 

— Eu destruí o lampião!

— O que? Sério? Deu em alguma coisa? — Ela tentou demonstrar animação.

— Não sei, eu fugi na mesma hora. O problema é que durante a fuga, fui atingido por um dos meu próprios tiros. — Mostrou as costas, apontando para o buraco em seu ombro.

— E você tá assim de boa? Tem alguma ideia do que isso pode te causar!?

— É claro que eu tenho! Não sou idiota. Por causa da “silhueta”, eu não tô sentindo nenhuma dor, na verdade, acho que até me acostumei com isso. Aquelas dores no corpo que eu sentia também desapareceram. — Esticou-se.

— Você não acha que tá muito despreocupado? Existe o risco daquela coisa desenvolver uma habilidade ainda mais mortal e você tá assim, tranquilo? — perguntou, ajeitando a postura.

— E o que mais eu posso fazer? Já não temos mais saída! — reclamou, batendo o pé. — Nenhum de nós quer confessar! Eu mesmo jurava que seria a coisa mais fácil do mundo, mas não é, Ok?... Eu admito que estava errado em te forçar a falar primeiro, mas isso não muda o fato de que vamos mesmo morrer se você não disser nada!

— Parece que eu também preciso te lembrar que eu não sou a única errada aqui! Faltam três altares! Estamos a literalmente três confissões de ficarmos livres, mas você está deixando tudo mais complicado! — bravejou ela, dando um passo à frente.

James, decidido a não fugir, fixou os pés naquele lugar, apontando e falando:

— E você com essas “visões do passado”? Eu duvido que tenha descoberto algo útil para nos tirar daqui! Tudo que fez foi ficar perdendo tempo vendo uma historinha de séculos atrás!

— E você? O que você fez?

James travou. Sua única descoberta até o momento foram as “cinco ordens”, sendo também aquilo que decidiu sozinho manter em segredo da parceira.

— O tempo todo você só tem jogado ataques contra mim! Mas e você? Aquele que reclamou o tempo inteiro fez algo melhor do que eu? — continuou ela. — Parece que não…

— Ao invés de encontrar o culpado, não só você, como eu também, deveríamos apenas falar tudo de uma vez e sair daqui…

— Mas não é tão fácil na prática — completou ele, agora de cabeça baixa. — Eu sei muito bem disso, nada é fácil quando se tenta colocar na prática, principalmente sentimentos. Eu me sinto culpado por muitas coisas, me julgo por muitas razões, mas mesmo assim, eu ainda não vejo motivo para você atrasar tanto no seu caso!

— De novo, eu não sou-

A fala de Jessie é interrompida pelo som característico da silhueta. Dessa vez, as paredes, janelas, até o próprio ar começaram a se distorcer. Um efeito de onda de calor atravessou todo o salão, para que no fim, o mundo de espelhos se tornasse realidade.

Fazendo uma barreira ao redor de todo o grande salão, bloqueando até mesmo a entrada para as escadas, incontáveis réplicas da estátua se posicionaram. Estas, que até então não se moveram, ergueram um lampião cada uma, assim como a chama avermelhada da morte.

“Essa é… a primeira ordem!”, pensou James, colocando-se no centro do tapete vermelho, ocasionando na colisão com Jessie.

Eles se colocaram de costas um para o outro. Seus olhares sem esperança vagaram entre cada imagem de pedra, como animais engaiolados encarando uma cerca.

— Que diabos é isso agora!? Você sabe alguma coisa? — falou Jessie.

— Eu… N-Não, não faço ideia — respondeu. — Mas eu tenho certeza de que nossas chances de fuga estão caindo cada vez mais rápido.

— Isso é óbvio! O que eu quero mesmo saber é se essas coisas são reais ou apenas ilusões! 

— Ah! Na verdade, te-tem uma maneira! — Apressado, James agarrou a câmera pendurada em seu pescoço, cuja existência sequer lembrava. — A câmera que encontramos! Lembra? Ela foi capaz de fotografar a alma que estava presa dentro da estátua! Podemos usá-la para descobrir qual é a verdadeira!

Sem perder tempo, James deu um giro completo, ao mesmo tempo que tirou incontáveis fotos que apenas foram de encontro ao chão conforme eram cuspidas pela câmera.

— Ótimo, agora é só encontrar aquela com a alma! — disse ele, vasculhando as fotografias.

Jessie por sua vez, olhou em direção ao segundo andar. No auge das escadas, também haviam estátuas, na entrada do corredor, no reflexo das janelas, cada canto era agora decorado pelas imagens de pedra.

— E-Ei! Me diz que descobriu qual é a verdadeira!

James, porém, ficou estático. As fotos já alinhadas, deram a resposta para Jessie sem que fosse necessário de seu parceiro para dizer.

“Nada… Nenhuma delas tem uma alma! Por que?” Ele analisou novamente, apenas confirmando a falta da esfera azul.

“Na verdade, a segunda ordem falava sobre algo parecido! Será que era isso? A estátua sabia das capacidades da câmera? Mas como!?”

Ele se levantou, com um semblante confuso. Jessie nada falou, pois mesmo seu pensamento foi sobreposto pelos batimentos do coração da mansão. 

As fortes ondas sonoras convergiam até os detetives, e cada um desses ataques recebidos gerava um pulso em seus próprios corações, os quais já não tinham liberdade nem para bater naquela situação.

Seguindo as ordens indiscutíveis da mansão, mais fileiras da estátua se formam pouco a pouco em direção ao centro, buscando no ataque final, os dois porcos jogados na toca do leão.



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