A Mansão de Alamut Brasileira

Autor(a): Safe_Project


Volume 2

Prólogo

No ano de 1867, pouco tempo após o Caso Alamut ser solucionado, a cidade que até então não tinha um nome entrou na sua mais gloriosa Era, sendo nomeada como Paradise, se tornando um dos mais cobiçados pontos turísticos de Utopia.

Porém, um evento repentino aconteceu no início dos anos 2000, não apenas naquela nação, como em todo o Continente Solum.

Em uma localização desconhecida, um grande homem de roupa camuflada vagava seu olhar entre as várias telas em sua frente. Confirmando o que queria, virou-se para o subordinado e perguntou:

— Estão todas fechadas?

— Sim, senhor! Todas as três fronteiras de Utopia foram completamente bloqueadas!

A resposta do soldado lhe permitiu exibir um sorriso aliviado. Ao bater continência para o rapaz, disse num calmo tom de voz:

— Dispensado. Nós já estamos seguros. Faça as honras e avise os outros sobre isso.

O outro não soube como reagir, repetindo a continência e estufando o peito em surpresa, para só então se retirar após. Saindo daquela sala, seus passos rápidos ecoaram pelos corredores, assim como as comemorações das outras pessoas quando receberam as boas novas.

Ainda na sala de controle, suspirou enquanto encarava a porta. Ele então foi até essa e a trancou, e ciente de que estava seguro, tirou o rádio da cintura e mirou algumas câmeras específicas.

— Seção 2. Aqui é o Comandante Xeps. Alguma alteração de comportamento por aí?

Senhor! Nada que tenha sido notado. Todos permanecem neutros, incluindo aqueles nas outras salas e o residente do Quarto 1. Câmbio!

— Entendido, câmbio! — Ele desligou o aparelho, apenas para contatar um lugar diferente.

— Seção 4. Comandante Xeps. Acabei de confirmar: Nós estamos seguros! Repito. Nós estamos seguros! Já sabem o que fazer a partir de agora, câmbio!

Quando a resposta lhe foi dada, encerrou de vez suas comunicações. Ao destrancar a porta da sala e passar a caminhar pelos corredores da instalação, pôde ouvir os anúncios serem rapidamente transmitidos pelas caixas de som.

Atenção! Atenção! Aviso de extrema importância para todos aqui presentes. A operação de contenção foi muito bem sucedida! Estamos iniciando agora a Operação de Segurança!

A partir do próximo mês, serão realizadas investigações intensas por toda a nação de Utopia. Nosso objetivo é encontrar, interrogar e prender qualquer espião estrangeiro ou possível ameaça à ordem que se encontre dentro de nossos domínios. Câmbio!

O efeito do anúncio não poderia ter sido outro. Todos os funcionários ficaram animados, alguns até já planejavam os próximos passos que iriam dar.

Comandante Xeps, por sua vez, celebrou com um semblante alegre que era disfarçado pelo rosto carrancudo, algo que apenas durou até o abrir de uma porta dupla de madeira.

Numa troca repentina, o túnel de metal foi substituído por uma agradável biblioteca. As paredes e teto contrastavam em tons de madeira escura, com prateleiras cuja cor era levemente mais clara, assim como a larga mesa no centro da sala.

Sentado numa poltrona havia um rapaz jovem e de cabelo loiro, que mesmo notando a chegada de alguém no cômodo, nem pensou em desviar sua atenção do livro que tinha em mãos.

— Está entretido como sempre, não é? — Xeps se aproximou, permanecendo em pé.

— Você que não sabe o que tá perdendo! Cada história aqui é tão impressionante quanto a outra! Nem acredito que Potestades encontrou tudo isso num único lugar.

A atenção do comandante vagou entre as prateleiras, se perguntando como alguém poderia ler tudo aquilo e ainda ter coragem de relê-los por pura diversão. Não! Na verdade, ele queria mesmo era saber como aquele rapaz se entretia tanto com aquilo. Ele então balançou a cabeça e perguntou:

— Bem, independente disso… achou o que queria? 

— Ainda não, parece que aquele lugar não existia na época em que os livros foram escritos, mas tô satisfeito com o que descobri até agora.

Xeps resmungou, não tendo qualquer ideia do que exatamente o jovem tanto pesquisava sobre. Já sem assunto, ele se despediu secamente e foi em direção à porta. Entretanto, sua atenção foi chamada antes que voltasse aos corredores.

— Tome cuidado, comandante. Agora que chegamos nesse ponto, tenho certeza que uma certa pessoa vai começar a se divertir com a gente.

— Pessoa? Não compreendo. De quem está falando exatamente?

Um sorriso de canto foi direcionado ao fardado, demonstrando uma grande empolgação.

— Essa é a graça, eu não faço ideia. Mesmo assim, ela está observando, eu sinto isso em cada um dos meus poros! — Ele passou a mão pelos pêlos arrepiados, e ao olhar em direção ao corredor, completou: — Na verdade, é até possível que ele esteja em algum lugar desta instalação.

Xeps deu um curto salto, pois com o aviso, um som também chegou aos seus ouvidos. Pelas paredes metálicas, jurou que havia algo rastejando ali, mesmo que de relance. Estava louco, ou era cansaço acumulado? Sem qualquer ideia, ele encarou o loiro uma última vez, que em nada alterou seu cenho.

"Entendi. Uma ordem indireta. Pra ele fazer isso, deve ser algo bem preocupante."

O comandante bateu continência, e acreditando que entendeu a situação, seguiu seu próprio caminho.

Pela dúvida imposta em sua cabeça, sua mente começou a divagar. A cada passo, a sensação de um mal à próxima esquina se tornava mais intensa, tornando seus batimentos mais rápidos.

Algo parecia espreitar nas sombras. Ninguém tinha ideia sobre o que ou quem poderia ser. No entanto, tal assombração não era nova, muito pelo contrário, pois em uma certa cidade de Utopia, já havia alguém que conhecia aquela figura melhor do que qualquer outro.



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