Em Outro Universo Angolana

Autor(a): Tayuri


Volume 1

Capítulo 32: Aiyden, Senta Na Cadeira De Edward

— Você...É realmente Ian Moore? 

Astrid perguntou, enquanto caminhava atrás do homem que tinha a aparência de Ian Moore. 

— Sou! E todos que você vir também são reais. Estando do lado de fora da cela, Grania já não te pode alcançar. 

— Sério? Porque? Ela não devia ser capaz...

Ian parou e consequentemente Astrid, também. 

— Grania... — Virou para Astrid. — Não é alguém que você pode realmente controlar, então esqueça qualquer ideia de usá-la.

— Eu não a usaria. Eu me aliaria a ela. 

Ian riu, muito fracamente. 

— Ela também não é alguém a quem te possas aliar. Ela mal tem uma personalidade.

Com as mãos no bolso do jaleco, o doutor voltou a caminhar e Astrid seguiu atrás. 

— Não há realmente mais ninguém aqui? Estão realmente todos mortos? — Seus olhos foram para as celas, sem números, que haviam em cada lado do corredor. 

— Grania está viva!!

— Ouve, que ela é do grupo dos monstros, do grupo zero. 

— Ela tem apenas onze anos, é muito cruel chamá-la de monstro. 

— E o Aiyden? 

Ian passou a mão pelos fios loiros. 

— Esse é errado! Vamos parar a conversa por aqui. Hora de voltar a realidade. 

A porta de entrada do grupo zero se abriu. Ian a atravessou e Astrid foi logo a seguir. 

Astrid fechou os olhos e os manteve assim por longos segundos até que por fim decidiu abri-los, quando a luz artificial, não mais a incomodava.

Kendra Russell, entrou em seu campo de visão. Parou em sua frente e Astrid percebeu, que ela usava um lenço azul ao redor do pescoço, onde provavelmente ainda havia marcas de suas mãos. 

Astrid soltou o ar muito lentamente. 

— Como você está? — Kendra Russell, perguntou. — Qual é a sensação de entrar e sair viva, do grupo zero? 

— ...Não sei dizer, senhora! Não consigo descrever como me sinto no momento. Acho que minha cabeça ainda não está no lugar. 

— Compreendo. Não deve ter sido nada confortável estar ao lado de Grania — falou e Astrid percebeu que ela queria sorrir. 

A soldada umedeceu os lábios. 

—  Na verdade. Não foi tão ruim. — As sobrancelhas de Russell, teimaram em se elevar. — Eu acho que... — Astrid já não a encarava. Os azuis parecendo distantes. — Até que foi...Sei lá, bom… — sorriu, fracamente. — Um segundo ela era muito assustadora e no outro, ela já não era tão assustadora assim...Não sei como explicar mais...De alguma forma acho que não foi tão ruim. — Olhou para a diretora. — A senhora consegue compreender isso? 

— Não! 

— Por que?! — perguntou, parecendo curiosa. 

— Por que você só pode estar louca para achar que a tua estadia lá foi boa. 

Silêncio e Astrid sorriu.

— Não acho que louca é a palavra adequada, mas como a senhora é a diretora, vamos assumir que é. 

— Vá para a cela. 

— Sim! — respondeu prontamente, não olhou para Ian Moore, e ainda sorrindo, passou por Kendra Russell. 

Seus olhos encaravam o chão e quando Astrid elevou a cabeça para frente, viu um rosto familiar. 

Era sua diretora. Era um estranho familiar, Astrid constatou, após estudar invasivamente a mulher que vinha caminhando em sua direção. Tal como a de seu mundo correcto, a mulher tinha o cabelo curto, que ia até  seus ombros. Olhos azuis e um olhar arrogante. Vestia um uniforme que mesclava azul, branco e preto, carregava armas e espadas, e tal como Russell, tinha uma faixa que começava em seu ombro direito e terminava em sua cintura, sendo fechada por um broche azul em forma de pássaro. 

Em algum momento os olhos se encontraram. Passaram uma pela outra e cada uma continuou seu caminho. 

Astrid avançou, sem olhar para trás, sem dar uma última olhada na mulher que parecia com a sua diretora.

.

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Por exatos dois minutos, Astrid ficou parada diante da porta do grupo quinze, olhando-a como se houvesse algo interessante nela. Mais alguns segundos morreram e por fim, a soldada avançou. A porta se abriu e ela atravessou-a. 

Seus companheiros de grupo se levantaram, tão logo Astrid parou, a poucos passos de distância da entrada. 

— Não sou um fantasma — anunciou, seus olhos encaravam Jase, que continuou em silêncio. 

Ninguém disse nada e nem Astrid, a qual somente caminhou. Passou por alguns de seus companheiros até que por fim parou diante de Chloe. 

Astrid segurou o casaco, torceu um pouco e avançando mais um passo, levantou os braços e envolveu Chloe em um abraço, que começou tímido e não havendo resistência ou alguma demonstração de desconforto por parte da outra, Astrid a abraçou mais forte. 

— Obri...

— Não diga! — pediu e levou a mão direita para as costas de Astrid e assim passou a acariciá-la lentamente.

Eles estão ouvindo e vendo tudo! 

Astrid pensou em Ian Moore, porém era Chloe falando em sua cabeça.

Então é um segredo?

É. Este é o meu PSS. 

O que é PSS? 

Coisa do Jase.

Chloe a afastou, desfazendo o abraço. 

Foi o Aiyden quem nos falou sobre a Grania, então só pude ajudar graças a ele. 

Nenhuma das duas o encarou.

Eu o agradeço por você. 

Chloe! Será que pode continuar me segurando? Acho que vou…Cair. 

Os olhos de Astrid se fecharam, e antes que Chloe pudesse realmente processar, o corpo de Astrid começou a ir para trás. 

Chloe a segurou pela mão, entretanto ela escorregou pela sua. O corpo de Astrid foi em direção ao chão, todavia caiu em cima de Lucky, a qual estava por cima de Jase, Logan e Aiyden. Reações em simultâneo, sem qualquer planeamento acabou provocando um acidente, que resultou em uma queda suave para Astrid, que mesmo inconsciente pareceu relaxada, enquanto seus companheiros tentavam sair um de cima dos outros sem que ela fosse contra o chão. 

.

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O nome de Aiyslnn se foi. A cama que ficava de frente a de Astrid, já não tinha mais o nome de Aiyslnn, já não a pertencia mais. 

Astrid acordou em sua cela. Em sua cama. Seus olhos encararam o relógio, por alguns minutos até que por fim decidiu ir até a cama de Aiyslnn. Não se sentou nela, não encostou nela e somente ficou encarando a placa, onde deveria estar o nome de sua companheira. 

Ela havia ido. Para sempre. 

Astrid se distanciou da cama, e enquanto voltava para sua, viu algo que não havia notado antes. Haviam duas pessoas dormindo na cama de Lucky. Compartilhavam a mesma almofada, e tinham as mãos entrelaçadas. 

Tal como Chloe fazia, quando Aiyslnn, ainda estava viva. 

A primeira abertura das celas foi anunciada. A porta se abriu e depois de uma contagem decrescente se fechou. Lucky acordou e Chloe despertou logo depois. 

— Hora do banho! — Astrid anunciou, antes de ir até seu túnel e pegar a bolsa que lá se encontrava. 

— Você está bem? — A pergunta veio de Lucky. Astrid não a encarou e somente assentiu. 

— Anda. Vamos! — Escorregando para fora da cama, Chloe puxou Lucky também, e assim cada uma foi em direção a sua bolsa. 

Astrid entrou no banheiro e suas companheiras seguiram atrás, alguns minutos mais tarde.

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Aiyslnn morreu e nada mudou. Tal como aconteceu com Edward. 

Exceto, claro, os olhares que passou a receber dos outros soldados. Eles a encaravam e cochichavam, entre si, baixo o suficiente para que ela não pudesse ouvir. 

Ela era como Aiyden agora? Astrid não teve certeza até Jase lhe dizer que eles apenas estavam impressionados que ela havia saído viva do grupo zero. 

— Não leve a mal. — Ele acrescentou antes de voltar a prestar atenção em sua comida. 

Mas Aiyden também saiu vivo de lá. Astrid quis lhe dizer, porém se manteve em silêncio. Encarou Jase por alguns instantes, até que decidiu olhar ao redor, e seus olhos se fixaram em Aiyden, o qual ainda comia na mesa do grupo zero. 

Vocês são diferentes.

A voz de Chloe, soou na mente de Astrid, que não pode evitar admitir que eles eram realmente diferentes. 

O pequeno almoço passou e os soldados do grupo quinze, foram para sala de corrida com obstáculos. E perto da entrada formaram uma pequena roda, sem Aiyden. 

— Então fica Jase na primeira, Astrid na segunda, Logan na terceira, eu na quarta, Lucky na quinta e...Aiyden na sexta. Então o que acham? As posições estão boas para todos? — Ninguém disse nada, pareciam pensar, mas ao mesmo tempo não. Chloe olhou para aquele que estava apenas a quatro passos de distância deles. — O que acha? 

— Acho que...as posições da Astrid e do Jase deviam ser trocadas. Não creio que ela vá nos dar alguma vantagem, então... — Seus olharam encaram os de Astrid. — Acho que Astrid devia ficar na primeira e Jase na segunda, para poder recuperar o tempo que será perdido e nos dar alguma vantagem. 

 Chloe piscou os olhos e voltou a olhar para seus companheiros. 

— Estão de acordo? — Olhou de Astrid para Jase. 

— Por mim tudo bem! — Foi tudo que Astrid disse, antes de desviar o olhar para algum ponto qualquer. 

— Jase?! — Deu de ombros, e os olhos de Chloe se semicerram.

— O que decidir está bom para mim, provavelmente perderemos na mesma — falou e seu olhar se tornou distante, como o de Astrid, como do resto de seus companheiros, que por alguma razão pareciam ter visto algo interessante no teto a muito longe deles. 

— Isso não é uma resposta! Eu preciso que vocês digam algo, deem soluções, não que joguem as decisões para minhas costas. Eu não sou o Edward. — Todos os olhares se voltaram para ela, mas Chloe já estava indo em direção a máquina, onde seriam inseridas as posições de cada integrante. 

Os segundos passaram e Chloe apenas permaneceu de frente a tela da máquina. Não se moveu e apenas ficou a encarando, até Aiyden foi em sua direção, parou a o seu lado. Colocou o indicador na tela, o deslizou por ela, deu dois toques e depois olhou para Chloe, que parecia surpresa e confusa, simultaneamente. 

Aiyden disse algo e segundos depois Chloe mexeu na tela e assim os dois se revezaram até que por fim regressaram. 

— Ao menos, façam um esforço para ganhar — Foi tudo que Chloe disse, antes de partir. 

Em uma tela gigante, onde vários grupos eram apresentados, o grupo quinze surgiu e Astrid estava com a primeira posição, tal como Aiyden havia sugerido. 

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Tal como Jase havia dito eles perderam. Pegaram o quarto lugar e Astrid não sentiu culpa alguma, pois era óbvio que o problema estava na maioria, não apenas nela. 

Castigo, seguido de uma luta na arena, levou todos para a ala médica. Entretanto, ninguém passou mais de uma hora lá, e foram enviados para outras atividades, as quais quase nenhum deles pareceu estar realmente lá. 

Astrid percebeu, quando deitou a cabeça na almofada, que...A morte de Aiyslnn ainda os afectava. 

Eles vão voltar ao normal. Só mais alguns dias e eles vão...Superar. A última palavra soou incerta, na cabeça de Astrid. 

Você já superou? 

Não. Chloe respondeu e Astrid tentou evitar levantar para olhá-la, pois ela estava em sua cama, e não na cama de Lucky. 

Alguém precisa fingir estar bem, enquanto os outros...Tentam digerir a perda! 

Edward também fazia isso? Fingir estar bem?! 

Sim. 

Astrid não disse mais nada, ao passo que também não ouviu mais a voz de Chloe em sua cabeça. 

Algumas lâmpadas da cela se apagaram. Astrid fechou os olhos, ouviu passos e quando eles cessaram, ela abriu os olhos, mas só havia escuridão. Seus olhos torrnaram a se fechar e o sono veio rápido, como sempre. 

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Dois dias se passaram e seus companheiros ainda pareciam distantes. Ainda pareciam não se importar se ganhavam ou perdiam. Se iam bem em um treino ou não. Eles realmente pareciam não se importar e Chloe continuava fingindo estar bem. 

Não havia sido só Edward, Keva e Aiyslnn...vários soldados haviam morrido e Chloe lhe falou sobre a maioria deles. Seus poderes, conversas que já haviam partilhado e até de suas lutas. 

Eram muitos adolescentes. Algumas poucas crianças e alguns jovens, que segundo Chloe eram muito poucos. Pois a maioria dos soldados morriam na adolescência, poucos chegavam perto dos dezoito. 

Astrid sentiu medo, no entanto ele se foi rapidamente e apenas se concentrou no monólogo de Chloe, sobre seus companheiros que morreram. 

Por que estamos fazendo isso? 

O que?! Ficar na fila do refeitório? 

Tudo o que fazemos nesse lugar. Por que sofrer tanto se vamos mesmo acabar morrendo, sem sequer podermos acreditar que chegaremos aos vinte? Ou sequer aos dezoito?  

Astrid deu dois passos em frente, quando a fila andou. 

Por que não cruzamos os braços e sei la...Não fazemos nada ou... 

Olhou ao seu redor.

Explodimos esse lugar? 

Atrás de si, Chloe sorriu. 

E como faríamos isso? 

Não sei! Eu só...Não quero morrer. Não como todos os outros morreram. Lutando por quem pensa que somos tão insignificantes que acha que pode nos desprezar, mesmo quando morremos, para proteger os outros. 

Mais dois passos e Astrid se viu de frente a esteira. Esperou e o tabuleiro veio até si. 

Os mais novos não chegaram aos quatorze. Nós não chegaremos aos dezoito e os mais velho...não existiram pois nenhum de nós terá passado para idade adulta. 

Aiyslnn não morreu pelo centro ou para proteger o reino. Ela morreu por nós. Seus companheiros. Se for para morrer, não me importo de morrer como ela. 

Astrid pegou sua bandeja, foi para o lado e Chloe avançou. Esperou e quando a bandeja chegou, a segurou e avançou em direção a Astrid, parando em sua frente. 

Então...Vamos todos só morrer...É isso? 

Pela ordem natural do universo, morreríamos na mesma. Mas...Ao menos se pudermos, não creio que seja errado escolhermos por quem e pelo que morrer. 

 Chloe começou a caminhar e Astrid seguiu, ficando ao seu lado. 

Eu não quero morrer pelo reino e nem pelo Centro. Se for para morrer por alguém.. Seus olhos vaguearam ao seu redor. Quero que seja pelas pessoas que nasceram com o mesmo destino que o meu. Olhou para Astrid. Pessoas iguais a mim. Humanos com os mesmos defeitos que eu. E até...

Astrid seguiu quando os olhos de Chloe foram para Aiyden. 

Por monstros como ele. 

Você confia nele?

Talvez! E...Pode ser da minha cabeça, mas estou vendo furos demais. Em todo lugar. Sempre que olho para ele, sempre que penso sobre ele, sobre nós e sobre os soldados mortos. Vejo..Sinto que tem furos a mais, nessa história toda. 

Chloe parou e Astrid também, no entanto não se encararam.

Um rumor surgiu do nada. Um rumor sobre o monstro que habitava no grupo zero, aquele que matava todos  que lá entravam. Nunca o havíamos visto e do nada ele apareceu, disseram que ele veio do grupo zero e em um piscar de olhos todos concluímos que era ele. Ele estava vivo, então era ele. 

Os olhos azuis de Chloe encontraram os azuis de Astrid.

Você também saiu viva de lá. 

Você disse que éramos diferentes. 

São? Keva morreu, e ele não estava lá. Ela morreu quando o monstro estava na mesma cela que nós. 

Acha que ele não os matou? 

Quero acreditar nisso. 

Astrid abriu a boca, entretanto  nada saiu. Fechou-a e comprimiu os lábios. 

Por que quer acreditar nele? 

Chloe, respirou fundo. 

Ele tem um plano. As sobrancelhas de Astrid se elevaram. Um plano, para explodirmos esse lugar. 

Vamos fazê-lo!

Chloe sorriu. Continuou sua caminhada e parou quando por fim chegou à mesa de seu grupo. Astrid sentou de um lado e ela sentou do outro.

Lutar contra o centro é perigoso. 

Estar neste lugar é perigoso. 

Eh!...Ouviram isso. Nós vencemos. 

Astrid piscou, olhou para sua comida e tentou evitar abrir a boca. 

Isso não valeu. Era a voz de Jase. Ela tem um crush nele, era óbvio que ficaria do lado dele. 

Deixa de ser mal perder dor Attwood. Três contra dois, nós vencemos, certo Lucky? 

Certo. 

De que lado você? Jase largou a colher e olhou para Lucky, a qual sorria enquanto levava uma colher à boca.

Dos vencedores, claro! Você me conhece. Quando a derrota está clara diante dos meus olhos eu não hesito em admiti-la. Engoliu a mistura e seu sorriso sumiu.

Jase suspirou pesadamente. 

Do que… vocês estão falando? 

Lucky e Jase foram contra nos aliarmos ao Aiyden e seguirmos seu plano. Então fizemos uma votação e só faltava você para desempatar. 

Isso significa que…

Vamos seguir um muito provável vilão, em uma luta onde podemos acabar provavelmente mortos, após sermos usados como meras marionetes, para seus planos do mal. 

Traduzindo. Começou Aiyden. Eu quero tomar conta do centro e preciso da vossa ajuda.

Não era para explodir tudo? E fugir?

Fugir para onde? Sem podermos realmente ter algum tipo de autoridade, todo lugar nesse mundo para nós será uma prisão, no entanto de todos os lugares que podermos pensar este é o melhor para assumir, ganhar autoridade e força suficiente para ninguém ousar nos prender, nunca mais.





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